Testamento de um Babalorixá - Charles Corrêa D'Oxum

Testamento de um Babalorixá





Deixo por meio deste instrumento virtual os meus desejos e disposições...

Deixo aos meus filhos e filhas a doçura e o consolo dos Orixás, o amparo que nos dão nas piores horas, e o peso de ser o melhor pra eles a cada dia.

Deixo as noites acordado na beira da mesa do Ifá pedindo força, vendo desfilarem vida e morte diante dos olhos, deixo o telefone tocando de madrugada, as noites insones no quarto de santo.

Deixo a alegria de ver nascer um Orixá e a tristeza de ver o pouco caso do filho ao abandona-lo.

Deixo a tristeza das ingratidões e o mal-estar de ter que repreender a quem se ama.

Deixo a agonia de ver os passos errados e não poder evita-los.

Deixo a solidão quando tudo vai bem e te esquecem e a solidão quando tudo da errado e te abandonam.

Deixo os axés de misericórdia arriados sem saberem e os axés de maledicência tornadas públicas.

Deixo as dívidas da fé, e a fé duvidosa de quem te procura...

Deixo as manhãs cinzas e as noites escuras...

Deixo o peso de não ter direitos e somente deveres...

E meus filhos, quando se apossarem desse meu legado, talvez entendam o que é ser um Pai de Santo...

Decepcionado com tanta traição de quem deveria ajudar a unir.

Autor Desconhecido




Charles Corrêa D' Oxum

Axé a todos e que os orixás abençoe a vida de cada um hoje e sempre.
Lembre-se:
A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.


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