Porque recomenda-se que as pessoas iniciadas no Batuque do RS sejam enterradas e não sepultadas em gavetas ou cremadas? - Charles Corrêa D'Oxum

Porque recomenda-se que as pessoas iniciadas no Batuque do RS sejam enterradas e não sepultadas em gavetas ou cremadas?



Essa pergunta me fazem com frequência nas redes sociais, vou respondê-la em aberto…

Poderia dizer primeiramente que partindo do princípio de que o ser humano veio da terra, do barro e pra ele devemos voltar.

Nós nascemos da terra que pisamos, o primeiro homem e mulher foram feitos do barro e assim a humanidade caminhou, somos frutos da terra e quando morrermos devemos voltar a Origem.

É tudo um ciclo.

Não ser enterrado é como se negássemos voltar a nossa Origem, é como se não completássemos esse ciclo e por isso segundo a tradição quando nos desencarnarmos seremos enterrados pra finalizar o ciclo Orún-Ayè.

A terra é vida e morte, a terra é filosófica e poderosa, onde todos somos iguais, a terra nos sustenta, nos dá vida e através dela nos desligaremos a matéria.

Entretanto, porém, não podemos esquecer que as religiões afro-brasileiras, sejam quais forem, somente conseguiram sobreviver a escravidão, e alcançarem os nossos dias, porque tiveram a sensatez da adequação.

Com relação ao ciclo natural da vida: nascer, crescer, reproduzir e morrer, encerra-se com a morte.

O ciclo natural não diz nascer, crescer, reproduzir, morrer e enterrar.

A cerca disso um grande filósofo, já teria dito “deixai aos mortos o cuidado de enterrar seus mortos”, ou seja, a natureza se encarregará da dissolução corpórea seja em que âmbito natural for.

Vejamos bem: no ciclo da evolução comunitária brasileira no século passado a população era bem menor do que atualmente, a tecnologia escassa e rudimentar, haviam covas suficientes para todos nos cemitérios, anos após, com o crescimento demográfico houve o surgimento das “carneiras” que ofereciam possibilidades de “andares” para agrupamento de famílias no mesmo espaço, e mais recentemente as chamadas “gavetas” que constituem as paredes dos poucos cemitérios existentes, em relação a população brasileira.

Evidentemente um religioso afro falecido em 1920 poderia primar por todos os fundamentos estabelecidos em torno da natureza da terra, mas vamos imaginar este mesmo religioso afro falecido em 2200, sim 2200, se nossos cultos persistirem ate lá, seguramente o enterro do futuro será a cremação, por questões de espaço físico, pela evolução das bactérias, dos vírus e consequentemente os riscos de contágios e etc....insisto, as religiões de matriz africana somente sobreviveram a senzala e chegaram aos nossos dias devido a adaptações e a sensatez de seus crentes.

Evidentemente o ciclo deveria se completar da terra a terra, porém a evolução dos tempos regida pela tecnologia de Ogum e pelos impulsos renovares de Exú nos levarão obrigatoriamente a outros conceitos…

Asé


Autor: Pai Mozart de Iemanjá





Charles Corrêa D' Oxum

Axé a todos e que os orixás abençoe a vida de cada um hoje e sempre.
Lembre-se:
A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.


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