Oquê, a montanha e Otim, o rio - Charles Corrêa D'Oxum

Oquê, a montanha e Otim, o rio


Otim esconde que nasceu com 4 seios" Oquê, rei da cidade de Otã, tinha uma filha.

Ela nascera com 4 seios e era chamada de Otim.

O rei Oquê adorava sua filha e não permitia que ninguém soubesse de sua deformação. Este era o segredo de Oquê, este era o segredo de Otim.

Quando Otim cresceu, o rei aconselho-a a nunca se casar, pois um marido, por mais que a amasse, um dia se aborreceria com ela e revelaria ao mundo seu vergonhoso segredo.

Otim ficou muito triste, mas acatou o conselho do pai. Por muitos anos, Otim viveu em Igbajô, uma cidade vizinha, onde trabalhava no mercado. Um dia, um caçador chegou ao mercado, e ficou tão impressionado com a beleza de Otim, que insistiu em casar-se com ela.

Otim recusou seu pedido por diversas vezes, mas, diante da insistência do caçador, concordou, impondo uma condição: o caçador nunca deveria mencionar seus quatro seios a ninguém. O caçador concordou, e impôs também sua condição: Otim jamais deveria por mel de abelhas na comida dele, porque isso era seu tabu, seu euó.

Por muitos anos, Otim viveu feliz com o marido. Mas como era a esposa favorita, as outras esposas sentiram-se muito enciumadas. Um dia, reuniram-se e tramaram contra Otim. Era o dia de Otim cozinhar para o marido; ela preparava um prato de milho amarelo cozido, enfeitado com fatias de coco, o predileto do caçador.

Quando Otim deixou a cozinha por alguns instantes, as outras sorrateiramente puseram mel na comida.

Quando o caçador chegou em casa e sentou-se para comer, percebeu imediatamente o sabor do ingrediente proibido. Furioso, bateu em Otim e lhe disse as coisas mais cruéis, revelando seu segredo:

"Tu, com teus quatro seios, sua filha de uma vaca, como ousaste a quebrar meu tabu?

A novidade espalhou-se pela cidade como fogo.

Otim, a mulher de quatro seios, era ridicularizada por todos.

Otim, fugiu de casa e deixou a cidade do marido voltou para sua cidade, Otã, e refugiou-se no palácio do pai.

O velho rei a confortou, mas ele sabia que a notícia chegaria também a sua cidade.

Em desespero, Otim fugiu para a floresta, ao correr, tropeçou e caiu.
Nesse momento, Otim transformou-se num rio, e o rio correu para o mar.

Seu pai, que a seguia, viu que havia perdido a filha, lá ia o rio fugindo para o mar.

Querendo impedir o Rio de continuar sua fuga, desesperado, atirou-se ao chão, e, ali onde caiu, transformou-se em uma montanha, impedindo o caminho do rio Otim para o mar.

Mas Otim contornou a montanha e seguiu seu curso, Oquê, a montanha, e Otim, o rio, são cultuados até hoje em Otã.

Odé, o caçador, nunca se esqueceu de sua mulher.

Fonte: "mitologia dos Orixás" - Reginaldo Prandi





Axé a todos!
Charles Corrêa D' Oxum


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