Odé atira sua única flecha - Charles Corrêa D'Oxum

Odé atira sua única flecha




A cada ano, após a colheita, o rei de Ijeshá saudava a abundância de alimentos com uma festa, oferecendo a população inhame, milho e coco. O rei comemorava com sua família e seus súditos; só as feiticeiras não eram convidadas.

Furiosas com a desconsideração, enviaram para festa um pássaro gigante, que pousou no teto do palácio, encobrindo e impedindo que a cerimônia fosse realizada. O rei mandou chamar os melhores caçadores da cidade. O primeiro tinha vinte flechas. Ele lançou todas elas, mas nenhuma acertou o grande pássaro.

Então o rei aborreceu-se, mas mandou-o embora. Um segundo caçador apresentou-se, este com quarenta flechas; o fato se repetiu e o rei mandou prendê-lo. Bem próximo dali vivia Odé, um jovem que costumava caçar a noite, antes do sol nascer; ele usava apenas uma flecha azul. O rei mandou chamá-lo para dar fim ao pássaro. Sabendo da punição imposta aos outros caçadores, a mãe de Odé, temendo pela vida do filho, consultou um babalaô e os búzios mostraram que se fosse feita uma oferenda para as feiticeiras, ele teria sucesso.

A oferenda consistia em sacrificar uma galinha, e na hora da entrega dizer três vezes: que o peito do pássaro receba esta oferenda!


Nesse exato momento, Odé deveria atirar sua única flecha. E assim o fez, acertando o pássaro bem no peito. O rei, agradecido pelo feito, deu ao caçador metade da sua riqueza e a cidade de Keto, “Terra dos panos vermelhos”, onde Odé governou até sua morte, tornando-se depois um Orixá.





Axé a todos!
Charles Corrêa D' Oxum


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