O Suspiro de Oyá pela beleza de Xapanã - Charles Corrêa D'Oxum

O Suspiro de Oyá pela beleza de Xapanã



Nanã esposa de Orixalá, gerou e deu à luz a um filho.

Sua criação não foi perfeita, nascendo uma criança doente, com muitas chagas recobrindo seu pequeno corpo. Ela não conseguia imaginar que maldição era aquela, que trouxe de suas entranhas uma criatura tão infeliz!

Sentindo-se impossibilitada de cuidar daquela criança, pois mal conseguia olhar para ela, resolveu deixá-la perto do mar. Se a morte a levasse seria melhor para todos.

Iemanjá, que estava saindo do mar, viu aquele pequeno ser deitado nas areias da praia, ficou olhando por algum tempo, para ver se havia alguém tomando conta dele, mas ninguém aparecia.

Então, a grande divindade das águas foi ver o que estava acontecendo, quando chegou mais perto, pôde compreender que aquela criança tinha sido abandonada por estar gravemente enferma.

Sentindo uma imensa compaixão por aquela pobre criatura, não pensou em mais nada, a não ser em adotá-lo como a um filho. Com seu grande instinto maternal, Iemanjá dispensou a ele todo o carinho e os cuidados necessários para livrá-lo da doença.

Ela envolveu todo o corpo do menino com palhas, para que sua pele pudesse respirar e, assim, fechar as chagas.

Xapanã cresceu e continuou usando aquele tipo de roupa, e ninguém, a não ser sua querida mãe, tinha visto seu rosto.

Era um ser austero e misterioso, provocando olhares curiosos e assustados de todos.

Ninguém conseguia imaginar o que se escondia sob aquelas palhas.

Nisso Iansã que era uma mulher muito curiosa, de todos queria notícias e tudo queria saber.

Apenas um segredo havia que ela já fizera de tudo para descobrir e não conseguira.

Era o fato de Xapanã andar coberto de palha, apenas se viam seus braços e pernas e nunca ninguém vira seu rosto.

Iansã perguntava a todos o porquê disso e sempre lhe diziam que como tinha o corpo e o rosto coberto de chagas, ele não gostaria de mostrar ao mundo a sina que o acompanhava.

Essas explicações vindas de todos os lados a deixavam mais curiosa ainda, passou a perseguir Xapanã obsessivamente, aonde ele ia, disfarçadamente ia atrás.

Um dia quando estava quase desistindo, sentia-se cansada o rapaz andava muito, sentou-se aos pés de uma grande árvore e adormeceu.

Acordou com o ruído do farfalhar de palhas que sempre acompanhava seu perseguido que estava molhando os pés num pequeno riacho muito perto dela e não a tinha percebido.

Era a hora! Finalmente descobriria o que há meses a torturava. Ergueu as mãos para o céu e chamou pelos ventos que sempre a auxiliavam. Eles vieram e numa lufada forte envolveram Xapanã, que despreparado, não pode impedir que a palha se levantasse deixando seu corpo exposto.

Qual a surpresa de Iansã ao ver que debaixo da vestimenta não havia uma só chaga, mas sim uma beleza radiosa, todo o corpo do rapaz brilhava numa cor de cobre que o sol acentuava.

O que ele escondia não era a vergonha de um corpo disforme e sim a beleza infinda que a todos faria inveja.
Desse dia em diante Iansã não mais perseguiu Xapanã, mas sempre que o encontrava suspirava pela beleza que nunca mais esqueceu.





Axé a todos!
Charles Corrêa D' Oxum


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