As lagrimas de Iemanjá por Odé - Charles Corrêa D'Oxum

As lagrimas de Iemanjá por Odé



Conta-se que Iemanjá uma época morava com seus dois filhos, Ogum e Odé perto de uma mata.

Ogum, sempre envolvido com seu trabalho nos campos, não era causa de preocupação para sua mãe. Já Odé sim, este gostava muito de caçar e, às vezes, passava dias fora de casa enfurnado nas matas.

Um dia, ao consultar um babalaô, Iemanjá foi avisada de que deveria impedir o filho de caçar, pois se ele encontrasse Ossanha, não mais retornaria ao lar.  A pobre mãe, muito aflita, assim que chegou à casa chamou por Odé e o proibiu terminantemente de voltar à mata, sem, contudo, dizer-lhe o motivo da proibição.

Durante alguns dias, o rapaz obedeceu e evitou a caça. Mas o tempo foi passando, e ele, não conseguindo dominar o desejo, resolveu fazer o que mais gostava. Saiu andando pelas matas sentindo a liberdade que esses momentos lhe proporcionavam.

Tão empolgado ficou que se embrenhou no mais profundo da floresta sem perceber que já estava muito distante do lar.  De repente, numa curva, ele se depara com Ossanha, o senhor das folhas, que ao ver o belo jovem, imediatamente por ele se apaixonou e o convidou para conhecer sua morada.

Sem conhecer os vaticínios do Babalaô e achando o rapaz muito simpático e amigável, Odé o acompanhou.  Ossanha, então, usando de seus poderes e conhecimentos sobre as ervas, preparou rapidamente uma poção e a serviu para o rapaz que no mesmo instante perdeu completamente a memória e foi convencido pelo novo amigo de que moravam juntos. Odé tornou-se assim, amante de Ossanha.

Ogum, preocupado com o sumiço do irmão, procura incessantemente pela mata alguém que lhe dê notícias do jovem. Enfim, alertado por um pássaro, consegue encontrar Odé que, assim que olha para o irmão, recupera a memória e, envergonhado com sua própria inocência, parte em sua companhia, sem olhar para trás.

Ao chegar à casa, Odé é recebido friamente por Iemanjá que não se conformou com a desobediência do filho.  Magoado e sem ter para onde ir, volta à casa de Ossanha, onde sempre fora bem tratado. Dessa forma, os dois orixás passaram a cuidar de toda a floresta.

Ao saber disso Iemanjá, começa a chorar de decepção e assim se cria os mares de agua salgada que são as lágrimas dela.







Axé a todos!
Charles Corrêa D' Oxum


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