A fuga de Otim - Charles Corrêa D'Oxum

A fuga de Otim





Otim era uma moça solitária e triste.

Não tinha amigos, não namorava, não era nem um pouco sociável.

Escondia-se pelos cantos e esquivava-se das pessoas, evitando qualquer tipo de convivência, misteriosa e cheia de segredos, era tão arredia que um dia decidiu fugir para a floresta.

Deixou casa, família, riqueza; deixou tudo para trás, embrenhou-se na mata onde finalmente poderia viver só e em paz.

Logo vieram as dificuldades: fome, frio, cansaço, medo, Otim, que sempre teve tudo, percebeu que não sabia se virar sozinha.

De tão exausta, encostou no tronco de uma árvore e adormeceu.

Sonhou com um caçador que lhe recomendou um ebó:

Otim deveria oferecer suas roupas e sua faca.

E assim o fez, num arbusto junto ao rio, depositou sua faca e sua roupa.

Mirou-se nas águas e viu seu corpo de donzela, seu maior segredo.

Mas dessa vez não se envergonhou por estar nua e não se sentiu infeliz.

Ao contrário, estava livre e leve.

Nisso Odé apareceu cheio de caças nas costas, veio buscar a oferenda e assim descobriu o grande mistério de Otim.

Tomou a faca e tratou os animais e com as peles cobriu o corpo de Otim e com a carne a alimentou.

Odé ensinou a Otim a arte da caça e guardou para sempre seu segredo.

Com isso aprendemos que aquele que não se aceita como é será eternamente infeliz.






Axé a todos!
Charles Corrêa D' Oxum


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