A Ética nas Religiões Brasileiras - Charles Corrêa D'Oxum

A Ética nas Religiões Brasileiras




Temos que ter muito claro que para falarmos de ética dentro de uma determinada religião o primeiro impulso que devemos ter é de fazermos uma separação entre o que se entende por bem e mal. Ao falarmos da religião de Umbanda e das religiões Afro-brasileiras ou afro-descendentes como preferem alguns, não podemos nos envolver com conceitos cristãos de pecado, haja visto não fazer parte de nosso universo religioso.

Estas religiões, desde que existem, têm normas que lhes norteiam mas que nem sempre são do conhecimento e observância de seus sacerdotes, pois cada Babalorixá /Yalorixá ou Dirigente Espiritual cuida de colocar suas próprias normas dentro de suas Casas.

Isto ocorre até porque não temos um único Mandatário Supremo, todos são supremos em seus Axés.

Porém, isto não impossibilita que todos se unam para zelar pelos "Códigos de Ética" que sempre existiram, muito embora a idéia é que só agora estamos criando essas normas.

Como disse, tenta-se por no papel aquilo que na prática já existe e só precisa ser observado.

Vejamos pois que normas, que códigos devemos observar:

1. É imperativo que dentro da Umbanda e dos Cultos Afro-brasileiros, todos estejam preocupados em manter a tradição religiosa e cultural de seu grupo, sem misturas e enxertos, sem junções e adições absurdas e desastrosas e que estas mesmas religiões deixem de se preocupar apenas com a parte litúrgica, para também se dedicarem ao bem-estar das pessoas, da comunidade como um todo, do país, do mundo, e também que esteja sempre presente a preocupação na preservação do meio ambiente, lembrando que somos uma religião ecológica por excelência.

2. Precisamos aprender a respeitar a nação do outro, pois todos os segmentos têm origem em comum na Mãe África, cultuam Orixá, Vodun, Nkissi, Bacuro, Encantados e Guias que são muito queridos e amados por seus adeptos.

O desrespeito à liturgia e ao ritual de cada um incorre num grande mal para toda a comunidade afro-brasileira.

3. Precisamos ter respeito com os mais velhos, com os Agba da religião, com nossos ancestrais.

Vê-se hoje em dia pessoas novas chamando a atenção e querendo ensinar os mais antigos. Se os mais velhos não souberem nada, o que diremos dos novos?

Pensamos que se precisa de entendimento e muito diálogo entre as gerações a fim de se tirar o melhor proveito. Mas tudo com seriedade e dignidade.

4. Em todos os grandes eventos (Congressos, Seminários, Encontros etc.), deve-se ter um Cerimonial adequado para se ver "quem é quem", dando-se as devidas precedências e evitando-se constrangimentos ao se destacar, por exemplo, um filho em detrimento de seu pai. É anti ético.

5. Nas festas religiosas (Toques), devemos nos preocupar com nossos convidados e dar-lhes a atenção devida, também fazendo com que todo o Egbé saiba se portar e respeitar.

É desagradável chegarmos a lugares onde muitos torcem a cara e ignoram aqueles que com carinho ali estão para prestigiar e participar.






Axé a todos!
Charles Corrêa D' Oxum


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